SEM NOME 3
E ja é meia noite quando algo na estante me chama. Vermelho, reluzente, perfumado e intelectual, de uma hora para a outra me chama a atencao. Embora esteja confortavel aqui, me levanto da poltrona e caminho em sua direcao. O vento gelado que escorre por de baixo da porta corre pelas minhas meias e segue inquieto pelo chao. Quando o pego, vejo seu peso, e com dificuldade para desgruda-lo dos demais, o puxo para meu peito. Caminho de volta para perto do calor e o estendo diante dos meus olhos, levemente reluzindo as labaredas da lareira. Me sento e preparo o ritual de iniciacao. Tiro o pó de seus ossos e temerante diante do fogo parece pessar ainda mais. O viro, o desviro, e analiso cada minucio. Me cubro e o coloco em cima das pernas, e quando finalmente o abro, sobe aquele cheiro de pó intelectual que o repousava toda sua vida ali. Agora ja é tarde, mas continuo a entende-lo, a procura de distrair minha mente cansada. E distraindo passam-se horas, quando o sol atravessa a janela e me fura os olhos. Ressecados, pisco e choro, satisfeito por ser anormal.
Um outro dia comeca, e quando guardo na estante, é como se dali para adiante, estivesse indo para cama dormir, e somente a noite, quando o abrisse, eh abriria os olhos para viver.
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